"Solenidade de Posse de Alan Bezerra na AJE"

(RECEBIMENTO DO TÍTULO DE JOVEM MENTALIDADE EMPREENDEDORA)

Prof. Tales de Sá Cavalcante
Diretor Superintendente da Organização Educacional Farias Brito

SAUDAÇÕES.

BOA NOITE.

Ao saber-se escolhido pela AJE para receber esta Comenda, a alegria foi superada pela surpresa por dois motivos. Não me achava, como ainda não me acho, merecedor e considerei conflitante a juventude de uma associação de JOVENS com a cor de meus cabelos. Ao indagar sobre o eventual conflito, recebi dos meninos da AJE a explicação. Viria eu aqui não como jovem empresário empreendedor, senão como empresário, de jovem mentalidade empreendedora.

Desta forma, meus cabelos brancos, não pintados por tintas, mas pelo tempo, conviveriam bem com a homenagem. É mais fácil ser jovem e empreendedor com a mente do que com outros órgãos. Estes necessitam de notáveis esforços, principalmente femininos, no uso de academias e Botox, enquanto a mente, sem a necessidade de artificialismos, já transformou muitos mortais em imortais.

Roberto Campos, ao chegar aos 80, solidarizou-se com Hayek que, ao restabelecer-se, octogenário, de uma grave doença disse: encontrei a velhice e não gostei. Eu, ainda longe dos oitenta, espero chegar lá seguindo minha querida vizinha de Messejana, Dona Lúcia Dummar, que encontrou a velhice e gostou. Segundo o notável médico George Magalhães, D. Lúcia pertence à classe dos hiperativos, que ao envelhecerem não percebem que estão velhos e, portanto, continuam jovens. Grande exemplo para que todas as nossas mentes permaneçam com o vigor da juventude.

O grande Valton Miranda, nosso parceiro na Faculdade Farias Brito, telefonou-me hoje desejando, aos 70 anos, falar sobre as perspectivas futuras. Outra lição.

Minha mentalidade foi considerada jovem, provavelmente, pela convivência com a juventude estudantil e porque se me perguntassem que parte do corpo humano mais necessita ser jovem, eu responderia: a mente. Ela foi considerada empreendedora talvez pelo estímulo de jovens que fazem de Fortaleza a cidade que mais aprova no ITA, em índice e em número absoluto. Talvez por sonhar sempre alto, pois nunca realizamos mais do que sonhamos. Ou por seguir Ricardo Semler, para quem o sim recebido é sempre um sim, o não é sempre um talvez. Mesmo que fosse possuidor das qualidades exigidas pela AJE, reconheceria muitos empresários à minha frente. Sinto-me, portanto, furando a fila.

Não consigo me achar merecedor da homenagem, pois não me vejo no mesmo time dos já homenageados Alberto Baquit, João Melo, Fernando Gurgel, Edyr Rolim, Fernando Cirino, Demócrito Dummar, Yolanda Queiroz, Luiz Gastão Bittencourt, Regis Dias, Ivens Dias Branco, Beni Veras, Jorge Parente, Expedito Parente, Pedro Coelho, Tasso Jereissati, Binho Bezerra e Raimundo Delfino. Colocado no time sem merecer, tentarei ficar no banco de reservas, aprendendo com os sábios.          

Como adepto intuitivo da regra do contente, propagada no livro Poliana, procurei uma explicação para o recebimento sem merecimento. Acho que encontrei. Guardadas as enormes proporções, lembrei que o Presidente Barack Obama tinha recebido o Prêmio Nobel não por suas obras em prol da paz, e, sim, pelo compromisso de uma futura união universal, como imaginava John Lennon, sonhando em sua música Imagine, entre outras coisas, que o mundo fosse um só, uma irmandade humana, todas as pessoas vivendo em paz, sem ganância, sem fome. E Lennon finalizava dizendo: “Você pode dizer que eu sou um sonhador, mas não sou o único. Desejo que um dia você se junte a nós, e o mundo, então, será como um só”. Aparentemente paradoxal, talvez a escolha de Obama tenha sido uma das mais inteligentes para o Nobel.

Os meninos da AJE foram tão inteligentes quanto. Escolheram homenagear não o empresário Tales, mas a Educação. Talvez a moçada da AJE tenha resolvido alertar para a história das nações. Todos os países desenvolvidos, sem exceção, passaram por uma boa reforma educacional. No Brasil contemporâneo, já tivemos Plano Cruzado, Plano Bresser, Plano Verão, Plano Collor e Plano Real, mas nunca tivemos um Plano Educação.

A AJE reconheceu a importância da educação em nosso Estado e no País, a exemplo do Centro Industrial do Ceará (CIC), que ora desenvolve um Fórum de Educação, liderado pelo atual presidente Robinson Passos de Castro e Silva, e a partir do dia 25 de fevereiro deste por Roseane Oliveira de Medeiros, para nosso orgulho primeira mulher a presidir o CIC e uma das melhores alunas do Farias Brito em toda sua história.

Esta Comenda é, acima de tudo, dirigida ao meu pai e à minha mãe, responsáveis pela minha formação. À minha querida mulher, Jaqueline, companheira de todas as horas, que, vindo do Sul para o Nordeste, veio de tão longe para ficar tão perto e define o atual estágio do Farias Brito como seu período pós-moderno. Recebem também esta homenagem minhas queridas filhas Liz, Ana e Hildete, pelo apoio em todas as horas.

A mentalidade jovem e empreendedora a mim atribuída é, na realidade, o resultado da comunicação entre as mentes de três irmãos. Hilda, Dayse e Tales. Em nossa gestão, a opinião mais importante não é a minha, nem a da Dayse ou a da Hilda, mas a que resulta de nosso diálogo.

Adotamos a máxima do imortal Genuino Sales: uma coisa é o que eu faço, outra coisa é o que nós fazemos. É nesse clima que lideramos 1.419 colaboradores, a quem agradecemos o recebimento desta honraria. São eles, juntamente com todos os que já militaram no Farias Brito, os grandes responsáveis pelo nosso conceito. Eu e minhas duas irmãs procuramos administrar seguindo Peter Drucker, ao considerarmos as pessoas o ativo mais valioso de uma empresa e ao procurarmos não ser patrões, mas maestros de uma maravilhosa orquestra, composta por excelentes músicos. Maestros servos da partitura e não chefes autoritários. Maestros que podem não saber tirar uma nota do clarinete, mas são capazes de dizer: “Primeiro clarinete, eu gostaria disso um pouquinho mais alto, mais baixo ou mais suave”. Enfim, uma autoridade de comando, mas repousando na habilidade do maestro em compartilhar, em comunicar.

Até agora, temos sido felizes nas escolhas das partituras e tivemos sorte de receber assistentes com bons ouvidos. Um dos nossos objetivos é a tese de Jack Welch quando afirma:

“Os presidentes de empresas erram ao conversar muito mais com seus diretores financeiros do que com os diretores de Recursos Humanos”. E exemplifica questionando se para a Seleção Brasileira de Futebol ganhar a Copa, a maior preocupação deve ser com o seu Diretor Financeiro ou com o técnico.

Desejo dividir esta honraria também com meus colegas diretores de outras escolas. Espero ser este momento um marco onde todos os educadores do Ceará sintam-se homenageados. Antes se achava que escola não poderia ser empresa. A entrega da Comenda Jovem Mentalidade Empreendedora a um educador é o reconhecimento de que escola pode ser empresa e, como empresa, deve oferecer um bom serviço, formando bons cidadãos e bons profissionais. O fato de uma pessoa ser educadora não a impede de ser empresária e vice-versa. O importante é que seja educadora e Empresária com E maiúsculo, e seja mais educadora empresária do que empresária educadora.

Gostaria de agradecer aos jovens da AJE, empresários do futuro e do presente, com as palavras do publicitário Nizan Guanaes, que ao paraninfar uma turma disse:

“Não pautem sua vida pelo dinheiro. Amem seu ofício com todo o coração. Persigam fazer o melhor. Sejam fascinados pelo realizar, que o dinheiro virá como consequência. Geralmente, os que só pensam no dinheiro não o ganham, porque são incapazes de sonhar. E tudo que fica pronto foi construído antes na alma.

Pensem no seu país, porque, principalmente hoje, pensar em todos é a melhor maneira de pensar em si. Afinal, é difícil viver numa nação onde a maioria morre de fome e a minoria morre de medo.

É preferível o medo à omissão. O fracasso ao tédio. Colaborem com os seus biógrafos. Façam, errem, tentem, falhem, lutem. Mas, por favor, não se acomodem, jogando fora a extraordinária oportunidade de ter vivido.”

O recebimento da Comenda Jovem Mentalidade Empreendedora me estimula, a partir de hoje, a conservar a mente sempre juvenil para, em primeiro lugar, fazer o que mais gosto: aprender. E, ao empreender, o farei lembrando sempre da importância do social do nosso Estado e do nosso País. Como dizia o grande Adam Smith, “nenhuma sociedade pode florescer e ser feliz enquanto a grande maioria de seus membros for constituída de pobres e miseráveis”. É também missão do empresário mudar nosso País. Sigamos, portanto, Mahatma Gandhi quando disse: “Você deve ser a mudança que você deseja ver no mundo”.

              Muito obrigado.  




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