Discurso Termino de Curso - 2008.2
Administração, Direito e Ciência da Computação

Saudações.

Com muita honra, recebemos a incumbência de representar a República Federativa do Brasil, para, neste ato solene, elevar, ao nível de bacharéis e bacharelas, brilhantes ex-alunos e ex-alunas. Este gesto nos dá um grande prazer que, no entanto, não é maior do que o de aqui representar os 1277 colaboradores da Organização Educacional Farias Brito, entre professores, professoras, funcionários, funcionárias e pessoal técnico.

Essas 1277 pessoas formam um conjunto com o conceito de time, no qual a valorização é do todo, e o individual é apenas uma peça do total. Inspirados em Peter Drucker, cumprimos nossa missão sem a valorização de posição e poder, senão por compreensão mútua e responsabilidade. Ao contratar um colaborador, adotamos uma máxima do saudoso empresário Clóvis Rolim. Primeiro analisa-se a índole, depois o aspecto técnico. Dentre os nossos companheiros de trabalho, merecem especial homenagem os maiores responsáveis por esta grande vitória. Referimo-nos aos nossos abnegados professores e professoras, que neste momento têm a sensação de missão cumprida, merecendo, também, os nossos parabéns. As futuras e promissoras vitórias profissionais dos formandos e formandas de hoje serão também vitórias de nossos professores e professoras.

Os seguidores de Cristo, ao seu tempo, quando souberam da morte de Jesus, acharam que tudo estava acabado. No entanto, ali estava nascendo a maior religião do Ocidente.

Por força da saudade, que já se inicia, os seguidores de passos que se deram desde o processo de seleção até este momento poderiam pensar o mesmo. Na realidade, este magno momento não consiste no fim de tudo, senão na conclusão de um ciclo e conseqüente início de um outro, sem dúvida mais brilhante.

Neoformandos e neoformandas iniciaram-se no prazer do conhecimento durante o Ensino Infantil, sob as mãos atenciosas de pais e mães, também merecedores das homenagens de hoje.

O mundo era o da invenção e o encanto ia das fadas e príncipes ao Papai Noel. Aprenderam a ler, escrever e contar. Chegaram à adolescência. Trocaram os sonhos infantis pelos questionamentos. Venceram os obstáculos do acesso ao Ensino Superior e, para a felicidade própria e de cônjuges, namorados, namoradas, familiares e amigos, são, a partir de hoje, graduados e graduadas.

Em seu clássico livro “Paideia. A Formação do Homem Grego”, Werner Jaeger afirma: “O que realmente era novo e trouxe a urbanização progressiva e geral do ser humano foi a exigência de todos os homens participarem ativamente no Estado e na vida pública e adquirirem consciência de seus deveres cívicos, completamente diversos daqueles da esfera de sua profissão privada. Esta aptidão geral, política, pertencia até então unicamente aos nobres”.

Por isso, a sociedade recebe, neste momento, não apenas profissionais de Administração, Computação e Direito, mas, acima de tudo, cidadãos e cidadãs.

O Brasil de hoje não prioriza a educação. Tem uma das piores distribuições de renda do planeta. A saúde pública é precária. A violência e a impunidade são cada vez maiores. O jovem de 18 anos, que, na Avenida Beira Mar, assaltou o presidente do Supremo Tribunal de Justiça do Brasil foi solto, um mês após assaltar a maior autoridade do Poder Judiciário brasileiro, que, por sinal, tinha a companhia de três seguranças. O que o assaltante deve estar fazendo logo após ser liberto? As autoridades não conseguiram eliminar a impunidade, muito menos as causas da violência. Brasil, doente, sem remédio e sem vacina.

Na última Copa do Mundo, a Seleção Brasileira concentrou-se, antes do Torneio, em uma cidade sueca de nome Weggis. Lá, a única delegacia policial existente só abre duas vezes por semana, e seu prefeito, à época da Copa, não lembrava quando aconteceu o último crime.

No Brasil e até na nossa Fortaleza, os bandidos, quase em sua totalidade reincidentes, estão cada vez mais audaciosos. Em torno de 85% (oitenta e cinco por cento) dos que saem dos presídios voltam a delinqüir e, destes, cerca de 40% (quarenta por cento) cometem crimes mais graves. Apesar de medidas efetivas, como o Ronda do Quarteirão, ainda não apresentaram um plano de médio e longo prazo, como fizeram Nova York e Colômbia.

Na Atenas clássica, em meados do século IV (quatro) antes de Cristo, era proibida a erradicação, derrubada e venda de oliveiras por um valor considerável, se o ato não se enquadrasse nas exceções previstas em Lei.

Atualmente, as devastações da Floresta Amazônica são tantas, que segundo Jean-Michel Cousteau, filho de Jacques Cousteau, já nos aflige a possibilidade de a Amazônia se tornar uma África, com imensa área desertificada. Sem entender o desprezo dos brasileiros à Amazônia, Jean-Michel afirmou ser o número de espécies de peixe no Rio Amazonas entre o dobro e o triplo do número de todo o Oceano Atlântico.

O índice de mortalidade infantil no Ceará tem diminuído substancialmente, porém os excluídos, que são muitos, possuem um deficiente sistema de saúde pública. O nível educacional brasileiro, principalmente no setor público, situa-se entre os piores do mundo. 

E por que no Brasil os problemas persistem e as soluções não chegam? De quem é a culpa? Quem deve agir? O Governo? O cidadão?

O rude homem do interior, na sua fé aliada à ignorância, diz: sou pobre, não tenho o que comer e não tenho assistência médica porque “Deus quis”.

Que um dia alguém lhe diga: os planos de Deus só se realizam quando você os faz seus.

Com todos esses desafios a vencer, quem se destaca em Direito, Administração ou Computação não é distinguido no Brasil apenas pelo seu bom desempenho profissional, pois o exercício da cidadania torna-se imprescindível no contexto.

A Grécia também nos ensinou ser o melhor regime a democracia. Embora reconhecendo que tomado o termo com todo o rigor, jamais houve e jamais haverá uma verdadeira democracia, Rousseau afirma em  “O Contrato Social” que se houvesse um povo de deuses, esse povo se governaria democraticamente.

Assim como um representante comercial segue a orientação de quem o escolhe, os membros do Poder Legislativo, os Prefeitos, Governadores e Presidentes, como representantes nossos, deveriam seguir os desejos do povo. Vamos, portanto, à luta, como fizeram os gregos, até conquistar a democracia. Só que as armas não são mais as lanças, e sim os argumentos. Os movimentos não mais são necessariamente os de rua, mas os de cliques viajando pela Internet.

Gostaríamos de deixar uma mensagem aos novos cientistas da Computação. Reconheçam o valor do hardware, mas não esqueçam que a máquina só existe porque o homem a inventou. Por mais que evolua a inteligência artificial, jamais existirá uma máquina superior ao homem  em todos os sentidos e capaz de, por exemplo, produzir a sensação por vocês sentida, quando notaram o primeiro olhar afetivo daquele ou daquela, que seria a amada ou o amado no efervescer da adolescência.

Prezados novos bacharéis em Direito, seja qual for sua área de atuação nos estudos jurídicos, tenham sempre em mente a figura da deusa da justiça Têmis. A venda está em seus olhos para que a visão não leve o julgador à parcialidade. Ela segura em uma das mãos a balança, para que todos sejam iguais perante a Lei; na outra segura a espada, para garantir a Fortaleza da dignidade. Tirem a venda dos olhos da deusa grega apenas para a visão da ética e dos princípios morais.

O conselho dirigido aos formandos em Administração serve também aos demais graduandos, pois expresso nas palavras do grande Peter Drucker.

Para Drucker, o que torna um executivo eficaz são 8 pontos:
Primeiro: “Pergunte: o que precisa ser feito”?
Segundo: “Pergunte: o que é bom para a empresa”?
Terceiro: “Crie planos de ação.”
Quarto: “Assuma a responsabilidade pelas decisões.”
Quinto: “Assuma a responsabilidade pela comunicação.”
Sexto: “Concentre o foco em oportunidades em vez de problemas.”
Sétimo: “Conduza reuniões produtivas.”
Oitavo: “Pense e diga nós e não eu.”

Ao apresentar as oito práticas de um executivo eficaz, Drucker faz uma recomendação final:

“Alguns nascem eficazes. Mas a demanda é grande demais para ser satisfeita por talentos extraordinários. A eficácia é uma disciplina.

E, como toda disciplina, pode ser aprendida e deve ser conquistada.”

Ouça primeiro, fale por último. O que todos têm em comum é a capacidade de fazer acontecer.”

A nossa mensagem final não é uma despedida, mas um até breve.  Nas nossas mentes quando da sua saída, estaremos acompanhando-os com nossa orquestra virtual. A execução da música é de nossa responsabilidade, mas o som sairá uníssono ao vocês entoarem os versos de Geraldo Vandré.

“Vem, vamos embora que esperar não é saber. Quem sabe faz a hora, não espera acontecer.”

Façam a hora. Façam acontecer.

Parabéns!                   
      Muito obrigado.


Tales de Sá Cavalcante - Diretor Superintendente da Organização Educacional Farias Brito